domingo, 9 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Mecanismo


A Síndrome de Asperger é uma condição neuropsicológica que causa efeitos no desenvolvimento cerebral em geral, provocando mudanças nos vários sistemas funcionais existentes. Embora a dissociação da SA com outros transtornos do espectro autista ainda não seja clara e não tenha sido descoberta nenhuma patologia em comum para todos os distúrbios, há probabilidade de que a síndrome tenha mecanismos distintos das demais desordens. Alguns estudos neuroanatômicos e supostas ações de agentes teratogênicos presumem que a alteração no desenvolvimento cerebral ocorra logo após a fecundação. A migração anormal de células embrionárias durante o desenvolvimento fetal pode afetar a estrutura definitiva do cérebro e seus circuitos nervosos, afetando ligações diretamente relacionadas ao pensamento e comportamento. Existem várias teorias e estudos relacionados, porém nenhum fornece uma explicação completa a respeito do mecanismo da Asperger.

A teoria da underconnectivity trabalha com a hipótese do subfuncionamento das conexões e sincronizações neurais de alto nível e com um excesso de processos de baixo nível. Ela mapeia bem as teorias de processamento geral tais como a teoria da coerencia central fraca, que hipotetiza que uma capacidade limitada de ver grandes imagens adjascentes a disturbios centrais no TEA.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Os desafios da idade adulta de portadores de Asperger


Como explica Mónica Pinto, os “aspies” têm capacidades cognitivas normais e, por isso, têm capacidade de ser autónomos e ter a sua profissão: “claro que se não houver uma intervenção poderão manter dificuldades na integração social e comunitária e alguma dependência dos pais, mas os casos em que a intervenção é eficaz e atempada, evoluem com perfeita autonomia e integração (…)”

De acordo com a pediatra do desenvolvimento, são habitualmente adultos que gostam de rotinas, pelo que se adaptam melhor a profissões mais sistemáticas e com menos contacto social, da mesma forma que tendem a ter grupos de amigos mais restritos e alguns comportamentos peculiares. No entanto, podem ser completamente funcionais e alguns mesmo brilhantes na sua profissão pela enorme dedicação aos seus interesses que os caracteriza.

Mas mesmo quando não alcançam o brilhantismo, como refere a APSA, os portadores de Asperger têm características muito prezadas por qualquer entidade patronal: a pontualidade, a fiabilidade do trabalho executado e a dedicação às tarefas que realizam. Claro que, para que possam estar integrados, precisam que o ambiente de trabalho que os rodeia seja harmonioso e que as pessoas à sua volta estejam sensibilizadas para as suas diferenças de forma a compreenderem as suas características e “feitio” particular.

No caso de Bruno, a mãe descreve-o como um rapaz feliz, de bem com vida, sincero e honesto, carinhoso e também ele preocupado com seu futuro. A grande preocupação de Maria é o que acontecerá com Bruno depois dela, uma vez que, no seu caso, apesar de muitos anos de terapias, não tem autonomia suficiente para viver sozinho. No entanto, considera que pode continuar a ser feliz com uma autonomia protegida e até com um emprego, pela que a mãe sente essa necessidade de lhe criar esse “chão seguro”. Está certa de que haverá um lugar seguro com qualidade, privacidade, respeito pela individualidade, onde ele possa ficar protegido onde consigam lidar com ele e aprender com ele. E continuará a procurá-lo.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - O “Feitio” Especial dos Portadores de Síndrome de Asperger.


São por vezes acusados de ser antipáticos. São quase sempre obsessivos com os temas pelos quais se interessam. Têm dificuldade em entender uma piada com um sentido subentendido. E odeiam alterações a rotinas. Conheça o “feitio” especial dos portadores de síndrome de Asperger.

Comecemos por aquilo que aquilo que ainda não aconteceu: o Asperger é um síndrome em vias de extinção. Na nova versão do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM -V), que será publicado em maio, síndrome de Asperger deixará de constar.

Este manual, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, serve de referência aos profissionais de saúde de todo o mundo na classificação e diagnóstico de perturbações mentais. A partir de maio, data em que sai a quinta versão, as perturbações do espectro do autismo passam a ter uma nova classificação na qual o Síndrome de Asperger desaparece e esta condição passa a designar-se como uma perturbação do espectro do autismo ligeira.

Mónica Pinto, pediatra do desenvolvimento que nos adianta esta informação, explica: “vai passar a haver sim uma gradação dos sintomas e a existência concomitante ou não de défice cognitivo e de perturbação da linguagem.”A pediatra do desenvolvimento explica que há muito pouco diferença entre o Asperger e o autismo de alto funcionamento: “a diferença era sobretudo a idade de erupção das palavras e das frases (normal no Asperger e tardia no autismo de alta funcionalidade), embora a clínica de ambos por volta dos 4-5 anos fosse completamente sobreponível.”

Informação retirada daqui

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Afinal o que é?


Maria Viana, mãe de Bruno, recorda que o filho, por volta dos dois ou três anos, tinha pouca iniciativa em procurar os outros, sobretudo crianças, e, se o fazia, era de forma desajustada mordiscando ou beliscando. Achava-o também muito contido nas emoções, com poucos risos e poucos choros, e embora tivesse com grande léxico de palavras falava pouco, era repetitivo, e não usava o “eu”. A memória era excelente, sobretudo para temas que lhe interessavam, com dois anos foram as marcas de carros. O Bruno tem hoje 27 anos e sabe tudo sobre o clima. Desde os quatros anos passou por vários especialistas, sendo que o diagnóstico de Asperger só chegou aos 18 anos.

Os sintomas clássicos de Asperger são as dificuldades em contacto visual, a ausência de resposta ao ser chamado, a não utilização de gestos ou do apontar, falta de interesse ou uma certa indiferença pelas outras crianças e por jogos interactivos. De acordo com o MedlinePlus, os sintomas podem ser percetíveis logo nos primeiros meses de vida, sendo que pelos três anos os problemas já são óbvios.

O National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS) refere ainda que em crianças mais velhas os interesses obsessivos são um importante sintoma, é referido que muitas crianças se tornam autênticas especialistas em dinossauros, marcas e modelos de carros ou até em objetos aparentemente tão estranho como aspiradores. Igualmente significativa é a dificuldade em entender certos sinais sociais e reconhecer os sentimentos dos outros, sendo que o terceiro sintoma que pode estar presente são alguns problemas a desempenhar certas habilidades motoras como ter dificuldade em aprender a andar de bicicleta ou a apanhar uma bola.

Além dos exames clínicos, outros testes físicos e mentais são sempre feitos de forma a descartar outras possíveis causas e a equipa que segue a criança por norma é multidisciplinar: pediatra do desenvolvimento, neuropediatra, psicólogo ou pedopsiquiatra, terapeuta da fala, etc. Até porque a intervenção precoce pode fazer toda a diferença.

Como nos explica a pediatra do desenvolvimento Mónica Pinto, o Asperger é uma perturbação do espectro do autismo em que não há compromisso da linguagem em termos dos principais marcos – embora possa haver algumas alterações qualitativas – e não existe défice cognitivo associado, pelo que é considerado o extremo “bom” do espectro.

No caso de Bruno, talvez porque os primeiros sintomas surgiram há mais de duas décadas, a psicoterapia só teve início aos 7 anos, mantendo-se até aos 22 anos. Foi avaliado quanto à necessidade de fazer terapia da fala e psicomotricidade mas, na altura, não foram consideradas necessárias, embora hoje em dia a mãe ache que a psicomotricidade teria sido importante.

No caso do Asperger, como de outras perturbações do desenvolvimento, o diagnóstico e intervenção precoces são essenciais. De acordo com Mónica Pinto, uma vez que os sintomas surgem muitas vezes bastante cedo e os pais estão hoje em dia muito atentos, é frequente receber crianças com alterações logo desde os 18 meses ou dois anos, altura em que ainda se pode intervir de forma muito eficaz.

Como explica a pediatra do desenvolvimento, a criança pequena apresenta grande plasticidade cerebral, pelo que através de intervenção precoce dirigida às suas dificuldades específicas é possível modelar o comportamento e melhorar as suas competências sociais e comportamentais. O que quer dizer que quanto mais cedo for feito o diagnóstico e a intervenção, melhores são as possibilidades de tornar a criança funcional.  Em casos raros pode ser necessário recorrer a algum tipo de medicação, mas o principal é o treino da interação, socialização e relação com os outros, idealmente feito nos ambientes naturais da criança (na escola, em casa) e não em gabinete.

Informação retirada daqui

sábado, 1 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Causas


Hans Asperger afirmou existir semelhanças no comportamento de seus pacientes com alguns de seus familiares, principalmente os pais, defendendo a tese de que a origem da Síndrome de Asperger pode ser genética. Embora as pesquisas ainda não apontem um gene especificamente responsável, muitos fatores embasam tal crença, principalmente devido à variabilidade fenotípica observada dentre as crianças com SA. Uma destas evidências se concentra no fato de que a síndrome pode ser diagnosticada em mais de um membro da família e uma maior incidência de indivíduos, dentro do mesmo círculo familiar, apresentarem sintomas de forma extremamente leve (como por exemplo, dificuldades de leitura, interação social ou linguagem). Grande parte dos estudos sugerem que todos os transtornos do espectro autista compartilham mecanismos genéticos, podendo ter uma origem comum e de maior destaque, no caso, o autismo em si. No entanto, sua origem provavelmente não é causada por um grupo de genes comuns nos quais os alelos tornam um indivíduo vulnerável ao ponto de desenvolver Asperger, mas, se for o caso, a combinação de alelos, em cada caso determinaria a gravidade e os sintomas de cada indivíduo que possui a condição. 

Exames de imagem apontam evidências de alterações estruturais em determinadas regiões do cérebro, o que comprova o forte fator genético. Tais formações se dão logo após a concepção, ainda em estado embrionário, e são características que quase sempre podem observadas também nos pais ou em um deles, caracterizando o que se chama de Fenótipo Ampliado do Autismo (FAA), que é quando o indivíduo não tem a síndrome completa, mas possui alguns traços. Irmãos de crianças com a Síndrome de Asperger, muitas vezes, também apresentam traços ou condições afins, mais uma vez reforçando a ligação genética do quadro.

Embora a causa exata do transtorno ainda não seja conhecida, sabe-se, no entanto, que o transtorno está presente desde o nascimento e que tem um forte componente genético, e que não é, portanto, causado por estilos inadequados de criação dos filhos ou traumas emocionais.

Alguns poucos casos de transtornos globais do desenvolvimento são considerados efeitos de agentes teratogênicos ocorridos nas primeiras semanas de gestação. Embora isso não exclua a possibilidade da Síndrome de Asperger se manifestar antes ou depois disso, conclui-se que, provavelmente seu surgimento seja precoce no desenvolvimento humano. Outra hipótese, sem conclusões advindas da comunidade científica é que fatores ambientais possam exercer alguma influência após o nascimento. Dentre esses fatores, poder estar certos produtos químicos, medicações utilizadas pela mãe durante a gravidez (especialmente nos primeiros 3 meses de gestação) ou mesmo a poluição, mas por enquanto são apenas especulações sem comprovação.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Coordenação motora e percepção sensorial


Indivíduos com síndrome de Asperger podem ter sintomas ou sinais que são independentes do diagnóstico que possuem, mas tais características podem afetar o indivíduo ou até mesmo a família. Estes incluem diferenças na forma de percepção e problemas com a coordenação motora, sono, e emoções.

Muitos aspies possuem uma ótima audição e percepção visual. As crianças geralmente percebem diferentes padrões sendo modificados o tempo todo. Normalmente, isso é de domínio específico e envolve a processamento neurológico minucioso. Por outro lado, em comparação com os autistas de alto funcionamento, os indivíduos com SA possuem déficits em algumas tarefas que envolvem a percepção visual-espacial, percepção auditiva relacionada à grande concentração de pessoas, ou memória eidética. Muitos deles relatam outras habilidades sensoriais, experiências e percepções incomuns. Por outro lado, podem ser mais sensíveis ou insensíveis ao som, luz e outros estímulos, também encontrados em outros transtornos globais do desenvolvimento, sem exclusividade para a Asperger.

Os primeiros relatos de Hans Asperger e outros tipos de diagnóstico incluem descrições de imperícia física. Crianças com SA podem ser atrasadas na aquisição de habilidades que exigem destreza motora, como andar de bicicleta ou a abertura de um frasco, e parecem se mover sem jeito ou sentirem-se "desconfortáveis em sua própria pele". Assim, podem ser mal coordenados, uma postura errada ou incomum, má caligrafia, ou problemas com a integração visual-motora. Também, possivelmente apresentam problemas com a propriocepção, além de apresentarem dispraxia, como equilíbrio, marcha tandem, e a justaposição do dedo polegar. Não há evidências de que estes problemas de motricidade os diferem dos autistas de alto funcionamento.

As crianças são mais propensas a terem problemas de sono, como dificuldade para dormir, frequente insônia no meio da noite, terror noturno e acordar cedo. A síndrome também está associada a altos níveis de alexitimia, que é a dificuldade em identificar e descrever as próprias emoções. Apesar de na SA a qualidade do sono ser menor, e também existir alexitimia, não há relação direta entre os dois sintomas.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Fala e linguagem


Embora os indivíduos com Asperger não apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala, seu discurso carece de adaptações significativas, pois a aquisição e uso da linguagem é geralmente atípica. Os comportamentos incluem dificuldade no uso de linguagem social (não dizem "oi" e "tchau", não respondem o nome ou idade quando perguntadas, etc.) verbosidade, transições bruscas (entram ou saem de um ambiente repentinamente, mudam de assunto sem o uso de introduções, etc.), interpretações literais e má compreensão da nuance, uso de metáforas ou expressões idiomáticas, os déficits de percepção auditiva, pedantismo extremo, discurso idiossincrático e/ou formal, e excentricidade na sonoridade, afinação, entonação, prosódia, e ritmo. A ecolalia é uma característica encontrada em algumas pessoas com SA.

Três aspectos nos padrões de comunicação são de interesse clínico: prosódia pobre, discurso circunstancial e tangencial, e notável verbosidade. Apesar da inflexão e entonação ser menos rígida ou monótona do que no autismo clássico, as pessoas com SA têm, em alguns casos, uma gama limitada de entonação: a fala pode ser extremamente rápida, irregular ou alta. Sua fala pode transmitir incoerência; e seu método de discurso muitas vezes é uma espécie de monólogo sobre temas que não há espaço para comentários do interlocutor, e em alguns momentos pensamentos pessoais não são suprimidos. Portanto, tais indivíduos podem não conseguir perceber se o ouvinte está interessado ou envolvido na conversa e a excessiva honestidade aos expressar as próprias opiniões pode ser interpretada com rudeza. A conclusão do discurso pode nunca acontecer, e a compreensão do receptor acerca do assunto é rara.

As crianças com SA podem ter um vocabulário extraordinariamente complexo numa idade jovem e informalmente serem chamados de "pequenos professores", mas possuem dificuldade em compreender o sentido figurado e normalmente interpretam tudo de forma literal. Assim, mostram ter fraquezas particulares em áreas da linguagem não literal como o humor, ironia, provocação e sarcasmo. Embora geralmente compreendem a base cognitiva do humor, não parecem entender sua origem para rirem com os outros. Apesar da apreciação de humor aparentemente prejudicada, habilidades na área em alguns existem e são exceções que desafiam os estudos acerca do autismo.

sábado, 24 de junho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Comportamentos repetitivos e restritos


Os indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente possuem comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas, por vezes focadas de forma intensa e anormal. Além disso, apego à rotinas, movimentos estereotipados e repetitivos, ou preocupação exacerbada com certos objetos são algumas das características que apresentam.

A obsessão por áreas específicas do conhecimento é uma das características mais marcantes da SA. Tais pessoas geralmente se informam e possuem leitura profunda de assuntos nos quais se interessam, como dados meteorológicos ou nomes de personalidades notórias, sem necessariamente ter uma verdadeira compreensão do tópico geral. Por exemplo, uma criança pode memorizar modelos de câmeras enquanto pouco se importa com fotografia. Este comportamento é comum em torno dos 5 ou 6 anos. Embora seus focos mudem de tempos em tempos, normalmente parecem bizarros e pelo foco exagerado, dominam tanto o assunto que causam a curiosidade da família. Há vezes em que os interesses restritos de crianças com Asperger passam despercebidos pelos pais. A família tende a achar que são "manias da infância" e que a criança apenas tem uma forte preferência por isso ou aquilo, que é um traço de personalidade ou temperamento, e quando alguns desses assuntos de interesse são relativamente normais, como carros, dinossauros ou bonecas, a obsessividade e restrição ficam ainda mais mascaradas, sendo ainda menos percebidas pela família.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Características


Como parte do transtorno global do desenvolvimento, a Síndrome de Asperger é identificada através de uma série de sintomas em vez de uma característica em especial. O transtorno é caracterizado por dificuldades na interação social, comportamento repetitivo, restrição de atividades e interesses, havendo interesse obsessivo por um assunto ou objeto em particular, e, embora não haja atrasos no desenvolvimento da linguagem, é comum a presença de dificuldades com a comunicação social (linguagem pragmática). Também podem estar presentes sensibilidades sensoriais (barulhos, tecidos ou etiquetas de roupas, seletividade alimentar, sensibilidade ao toque, à luz ou olfativa, por exemplo), fala monótona, inaptidão às atividades físicas e inabilidade motora (o andar ou correr podem parecer estranhos, podem deixar cair muitas coisas, tropeçar muito, etc.), porém não são estritamente necessárias para a conclusão de um diagnóstico.

A dificuldade em responder socialmente através da empatia possui um impacto significativo sobre a vida social de pessoas com a síndrome de Asperger. Os indivíduos com SA demonstram inabilidade em características básicas da interação social, como a formação de amizades, ou até mesmo motivações para certas atividades, incluindo o compartilhamento de seus temas de interesse. Assim, também normalmente não há reciprocidade social e emocional (suas ações podem parecer mecânicas), além da dificuldade em interpretar comportamentos não verbais, como o contato visual, expressão facial ou gestos.

Dessa forma, indivíduos com SA podem não ser muito receptivas às pessoas involuntariamente, mas não no mesmo nível de severidade de outros tipos de autismo; até certo ponto, conseguem envolver-se coletivamente. Quando falam de seus assuntos de interesse, o discurso é normalmente unilateral e prolixo. Mas, para o sujeito, é difícil perceber se o interlocutor está desinteressado, se deseja mudar de tema ou terminar a interação. Este comportamento desajustadamente social é muitas vezes considerado como excêntrico, porém ativo. Com isso, tal falha pode ser erroneamente interpretada como descaso, egoísmo e desinteresse em reagir corretamente às situações sociais. No entanto, nem todos os indivíduos com Asperger conseguem conversar com todos. Muitos podem até mesmo ter mutismo seletivo, interagindo apenas com pessoas específicas. Ainda, podem escolher conversar apenas com as que têm um maior vínculo afetivo.

A cognição das crianças com a síndrome muitas vezes lhes permite articular as regras sociais como se fossem experimentos de laboratório, no qual, teoricamente podem descrever as emoções das pessoas; no entanto, são geralmente incapazes de aplicar seus conceitos na vida quotidiana. Assim, analisam e aplicam suas observações de interação social em comportamentais rígidos, de forma excêntrica, podendo apresentar um contato visual forçado e estático, resultando em uma aparência rígida ou ingénua. O desejo de se ter companhia na infância pode ser distorcido devido a falhas na interação social. Crianças com Asperger geralmente querem ter amizades, mas a dificuldade em compartilhar, a fala unilateral sobre um tópico de interesse que pode soar repetitivo e desinteressante para os demais e a inabilidade na interação social acabam por isolá-la dos colegas. É comum que a interação social seja melhor com adultos ou crianças mais velhas que com os pares de mesma idade. A criança com Asperger geralmente se isola do grupo logo no início de sua vida escolar, geralmente por volta dos 2 ou 3 anos, quando começam a escolinha infantil.

Sensibilidades sensoriais e dificuldade de compreensão das normas sociais fazem com que elas evitem festas, aglomerações ou quaisquer atividades excessivamente barulhentas ou agitadas. Não é incomum que não gostem de festas de aniversário, tenham receio da hora de cantar parabéns, não participem de brincadeiras coletivas no pátio da escola, principalmente as que envolvam música, dança ou gincanas, e se assustem facilmente com situações comumente presentes em eventos infantis que não são percebidos como problemas pelas crianças sem a síndrome, como palhaços aparecendo de surpresa, pegando no colo ou puxando pela mão, cornetas, bexigas estourando e muita gente rindo e falando juntas.

A hipótese de que pessoas com SA têm predisposição para comportamentos violentos ou criminosos foi investigada, mas não possui nenhuma comprovação. Muitas ocorrências evidenciam que normalmente as crianças com Asperger são vítimas ao invés de algozes.

domingo, 18 de junho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Classificação


A linha que separa a Síndrome de Asperger (SA) e o Autismo de alta funcionalidade (AAF) é incerta. O transtorno do espectro autista é, até certo ponto, um artefato de como o autismo foi descoberto e pode não refletir a verdadeira natureza do espectro; problemas metodológicos tem envolvido a síndrome enquanto um diagnóstico válido desde o começo. Na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), publicado em maio de 2013, a síndrome de Asperger, enquanto um diagnóstico separado, foi eliminada e encaixada dentro do espectro autista. Assim como o diagnóstico da síndrome, a mudança é controversa e a SA não foi removida do Catálogo Internacional de Doenças (CID-10).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a Síndrome de Asperger como um dos transtornos do espectro autista ou condições do transtorno global do desenvolvimento, as quais são um espectro de condições neurológicas que se caracterizam por dificuldades na interação social e na comunicação, além de interesses restritos e comportamentos repetitivos. O Transtorno do Espectro Autista começa na infância e se instala antes dos 3 anos, tem um andamento estável, sem agravamento da condição já existente ou deterioração do funcionamento mental e geralmente apresenta melhoras que resultam da maturação de vários sistemas do cérebro. É comum que algumas pessoas e ao menos um dos pais de crianças diagnosticadas com a Síndrome de Asperger apresentem alguns traços semelhantes à síndrome, sem que preencham critérios suficientes para o diagnóstico de autismo, caracterizando o que se chama de fenótipo ampliado do autismo (FAA).  Das quatro formas de Transtorno do Espectro Autista, o autismo é a mais parecida com a Síndrome de Asperger em sinais e prováveis causas, mas seu diagnóstico requer comunicação prejudicada e permite atrasos no desenvolvimento cognitivo; a Síndrome de Rett e o Transtorno desintegrativo da infância compartilham vários sinais com o autismo, mas podem ter causas não relacionadas; e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação é diagnosticado quando os critérios para distúrbios mais específicos são insatisfatórios.